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Gaeco aponta que vereadores de VG ficaram confinados em chácara para fraudar eleição da Mesa

 

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira (20) a Operação Cathedra Venalis. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão contra parlamentares, servidores e operadores financeiros do Legislativo, mergulhando o segundo maior colégio eleitoral do estado em uma profunda crise institucional.

Abaixo, veja a relação oficial de todos os parlamentares e agentes públicos investigados e que foram alvos das diligências do Gaeco:

Vereadores de Várzea Grande Investigados:

  • Wanderley Cerqueira (MDB) – Presidente da Câmara Municipal
  • Gisa Barros (Podemos)
  • Rogerinho Dakar (PSDB) – Suplente e ex-presidente do DAE-VG
  • Cilço da Cruz (PV)
  • Braz Jaciro (PSDB)
  • Alessandro Moreira / Alecsand (MDB)
  • Wender Madureira (Republicanos)
  • Sargento Galibert (PSB)
  • Dr. Miguel (Cidadania)
  • Lucélia Oliveira (Agir)
  • Kleberton Feitoza (PSB)
  • Raul Curvo (Republicanos)
  • Enfermeiro Emerson (PP)
  • Nota da Redação: A vereadora Rosy Prado (União) também foi alvo de mandados judiciais no escopo da varredura, embora tenha votado na chapa de oposição [0.1].

Vereadores de Cuiabá Alvos de Busca:

  • Alex Rodrigues (Podemos)
  • Ilde Taques (Podemos)

Servidores da Câmara de Várzea Grande:

  • Lorineide – Diretora financeira do parlamento municipal
  • Samir Katumata (PL) – Secretário legislativo e suplente de vereador

Confinamento de vereadores e propina do DAE

A investigação do Ministério Público foi disparada a partir de uma denúncia anônima protocolada junto ao Gaeco em maio, detalhando um suposto "quartel-general" da corrupção montado para fraudar e ditar o resultado da eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.

De acordo com o documento apurado pelas autoridades, o esquema era liderado pelo presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB). O plano consistia em manter 12 dos vereadores investigados em regime de confinamento e sob escolta armada de policiais à paisana em uma chácara localizada no distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá, de propriedade do vereador Dr. Miguel (Cidadania).

O isolamento forçado servia para aguardar a data da sessão eletrônica e impedir que os parlamentares mudassem de posicionamento. O Ministério Público também identificou indícios da circulação de um grande volume de dinheiro em espécie na chácara, supostamente destinado à compra direta de votos na disputa interna que elegeu Cerqueira por 12 votos a 11 — pleito que foi posteriormente anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O plano para cassar a prefeita Flávia Moretti

Para além da disputa pelo comando do Poder Legislativo, a Operação Cathedra Venalis revelou que a organização criminosa possuía um plano de voo ainda mais agressivo para assumir o controle total do município de Várzea Grande. As investigações apontam que o grupo utilizaria o domínio da Mesa Diretora para forçar a cassação do mandato da prefeita eleita Flávia Moretti (PL).

Com o afastamento da chefe do Executivo, o comando passaria para as mãos dos investigados, viabilizando a execução de um pré-acordo de propinas e acertos ilícitos voltado para a privatização bilionária do DAE (Departamento de Água e Esgoto).

O Gaeco também apura a existência de pagamentos periódicos de vantagens indevidas a parlamentares para acobertar outras irregularidades fiscais e contratos fraudulentos na gestão da Casa de Leis. Os materiais, computadores e celulares apreendidos nesta terça-feira passarão por perícia técnica para consolidar o relatório do inquérito civil.

 

FOTO: REPORTER MT