O vice-presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Bruno Rios (PL), anunciou oficialmente ontem (20) que vai peticionar ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) o compartilhamento de todas as provas colhidas na Operação Cathedra Venalis.
O objetivo estratégico do parlamentar é municiar a Mesa Diretora com elementos jurídicos e técnicos para desencadear a abertura de procedimentos disciplinares internos e pedidos de cassação por quebra de decoro contra os 13 vereadores da Casa que foram alvos de busca e apreensão por suspeita de corrupção e compra de votos.
“Vou solicitar ao Gaeco algumas informações inerentes, até porque eles têm essas informações, para que a gente possa tomar providências”, declarou Bruno Rios, ressaltando que, até o momento, a Mesa Diretora só tomou conhecimento do teor das graves acusações de suborno institucional e do suposto confinamento de parlamentares em chácara por meio da cobertura jornalística da imprensa local.
NOVAS ELEIÇÕES - A movimentação de Bruno Rios amplia o isolamento político e o cerco jurídico em torno do atual presidente do parlamento, Wanderley Cerqueira (MDB), apontado nas investigações do Ministério Público como o suposto líder de um "quartel-general" criminoso montado para comprar mandados por meio de dinheiro em espécie e blindar esquemas de propina voltados à privatização do DAE. Cerqueira chegou a ser reconduzido ao cargo em uma votação realizada em maio, mas o pleito foi anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por violar o princípio constitucional da anterioridade.
Aproveitando o terremoto político causado pelo Gaeco, o vice-presidente da Câmara subiu o tom e passou a exigir publicamente a convocação imediata de uma nova eleição para a Mesa Diretora.
Rios acusou formalmente Wanderley Cerqueira de usar manobras regimentais e criar dificuldades técnicas artificiais para travar o plenário e adiar a abertura das urnas. Segundo ele, o bloco de renovação liderado pelo vereador Lucas do Chapéu do Sol (PL) já consolidou uma maioria estável de assinaturas e detém os votos necessários para vencer a nova disputa e assumir a governabilidade do parlamento.
Os materiais, computadores e celulares apreendidos pelo Gaeco passarão por triagem para robustecer o inquérito que envolve uma ampla lista de agentes públicos do município.
Vereadores de Várzea Grande na mira do Gaeco:
- Wanderley Cerqueira (MDB) – Presidente da Câmara
- Gisa Barros (Podemos)
- Rogerinho Dakar (PSDB) – Suplente e ex-presidente do DAE-VG
- Cilço da Cruz (PV)
- Braz Jaciro (PSDB)
- Alessandro Moreira / Alecsand (MDB)
- Wender Madureira (Republicanos)
- Sargento Galibert (PSB)
- Dr. Miguel (Cidadania) – Dono da chácara usada no confinamento
- Lucélia Oliveira (Agir)
- Kleberton Feitoza (PSB)
- Raul Curvo (Republicanos)
- Enfermeiro Emerson (PP)
Vereadores de Cuiabá alvos das buscas:
- Alex Rodrigues (Podemos) e Ilde Taques (Podemos)
Cúpula Administrativa da Câmara:
- Lorineide (Diretora financeira) e Samir Katumata (PL) (Secretário legislativo)
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