OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS

Gaeco cita Tião da Zaeli em investigação sobre suposto esquema de controle político na Câmara de VG

 

 

O ex-vice-prefeito de Várzea Grande Sebastião dos Reis Gonçalves, conhecido como Tião da Zaeli, é citado em um relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no âmbito da Operação Cathedra Venalis, que apura suspeitas de irregularidades na articulação política da Câmara Municipal. Segundo o documento, ele estaria entre os agentes políticos e particulares que teriam dado apoio ao grupo investigado, apontado como liderado pelo presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB).

De acordo com a reportagem do RepórterMT, a participação atribuída a Zaeli aparece no depoimento de uma testemunha cuja identidade foi preservada. O relato apresentado ao Ministério Público descreve uma suposta estrutura de articulação e controle de parlamentares, que teria como objetivo assegurar influência sobre decisões internas do Legislativo municipal.

O relatório, conforme o trecho reproduzido na publicação, afirma que o grupo investigado teria Wanderley Cerqueira como figura central e contaria com a participação ou o apoio de outros agentes políticos e particulares, entre eles Tião da Zaeli, além de pessoas com interesses econômicos relacionados à atuação do grupo.

A citação coloca o ex-vice-prefeito no contexto de uma investigação que apura suspeitas de negociação de apoio parlamentar, pagamento de vantagens indevidas e uso de mecanismos de pressão contra vereadores. A inclusão do nome no relatório, porém, não equivale a uma condenação nem comprova, por si só, a prática de crimes.

Cartas de renúncia e gravações estão entre os pontos investigados

A investigação também apura relatos sobre cartas de renúncia que vereadores teriam assinado antecipadamente durante encontros em uma chácara, além da suposta utilização de gravações clandestinas feitas no escritório de Wanderley Cerqueira para pressionar parlamentares.

Outro ponto citado nas apurações é a suspeita de pagamento de valores mensais a vereadores, mencionados na reportagem como um possível “mensalinho” de aproximadamente R$ 10 mil. O material também descreve suspeitas de articulações para influenciar a composição da Mesa Diretora da Câmara.

Essas informações fazem parte das linhas investigativas divulgadas sobre a operação e devem ser tratadas como suspeitas ainda sujeitas à apuração e à comprovação pelas autoridades competentes.

Investigação alcança disputa pelo poder em Várzea Grande

A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada pelo Gaeco para investigar uma suposta rede de negociação de apoio político e de cargos no Legislativo. Conforme a denúncia que deu origem à apuração, o grupo teria buscado garantir a reeleição de Wanderley Cerqueira à presidência da Câmara e ampliar sua influência sobre decisões políticas do município.

Entre as suspeitas relatadas estão articulações para pressionar pela cassação da prefeita Flávia Moretti (PL) e possíveis acordos relacionados à privatização do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE). A investigação busca esclarecer se essas iniciativas estariam vinculadas a interesses políticos e econômicos e se houve promessa ou negociação de vantagens indevidas.

A operação também teve como alvos vereadores de Várzea Grande e de Cuiabá, além de pessoas ligadas à estrutura administrativa do Legislativo. Segundo a reportagem, os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços residenciais e comerciais, e não nas sedes das duas Câmaras Municipais.

Renúncias e rompimento político

Tião da Zaeli ocupou o cargo de vice-prefeito de Várzea Grande na gestão de Flávia Moretti, eleita em 2024 para assumir a Prefeitura em 2025. Ele renunciou ao posto em meio a um período de desgaste e divergências com a prefeita.

O ex-vice-prefeito também havia renunciado ao cargo em 2012, quando integrava a gestão de Murilo Domingos. Sua trajetória política e seus conflitos com diferentes grupos da cidade voltaram ao centro do debate após a divulgação de sua citação no relatório do Gaeco.

Além da atuação política, Zaeli preside o Sistema Fecomércio-MT. A menção ao seu nome na investigação aumenta a repercussão do caso, mas a extensão de sua eventual participação e as responsabilidades individuais dos citados dependem do avanço das apurações.

O que significa Cathedra Venalis

A expressão latina Cathedra Venalis pode ser traduzida como “cadeira venal” ou “cargo à venda”. O nome escolhido para a operação faz referência à suspeita de negociação de posições, apoio e influência política dentro do Legislativo.

A investigação teve origem em uma denúncia protocolada em maio, que descrevia a existência de uma suposta estrutura de articulação para interferir na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. Entre os fatos relatados estavam uma reunião de vereadores em uma chácara no distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá, e a suspeita de circulação de dinheiro para compra de votos.

O Gaeco reúne documentos, mídias e outros elementos para esclarecer os fatos e identificar a eventual participação de cada investigado. Até que haja conclusão das apurações e decisões judiciais, as acusações devem ser tratadas como suspeitas, com garantia do direito de defesa a todos os citados.

 

FOTO: CÂMARA DE VG