OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS

Gaeco investiga suspeita de articulação para cassar prefeita de Várzea Grande

 

Uma suposta articulação entre vereadores de Várzea Grande para garantir a reeleição de Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Câmara Municipal e criar condições políticas para abrir um processo de cassação contra a prefeita Flávia Moretti (PL) aparece entre os elementos relacionados à investigação que fundamentou a Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) na terça-feira (20).

De acordo com informações descritas no documento investigativo, uma denúncia anônima encaminhada ao Gaeco apontou a existência de um grupo político que buscaria consolidar maioria no Legislativo municipal. A suposta articulação teria ocorrido em maio deste ano, período que antecedeu a eleição da Mesa Diretora da Câmara.

A denúncia menciona um encontro em uma chácara localizada no Distrito da Guia, propriedade atribuída ao vereador Miguel Júnior. Mais de dez parlamentares, supostamente liderados por Wanderley Cerqueira, teriam participado da reunião, que teria como objetivo reunir os votos necessários para a recondução do presidente e fortalecer sua base política.

O relato também traz acusações de que os participantes estariam sob vigilância de homens armados e de que haveria dinheiro em espécie destinado à suposta compra de votos. Essas informações integram as suspeitas descritas no material encaminhado à investigação e não devem ser tratadas como fatos comprovados.

Depoimento menciona possível afastamento da prefeita

A hipótese de cassação de Flávia Moretti também teria sido mencionada durante o depoimento do vereador Caio Cordeiro. Conforme o relato atribuído a ele, o empresário e ex-vice-prefeito Sebastião dos Reis Gonçalves, conhecido como Tião da Zaeli, teria pedido apoio à reeleição de Wanderley Cerqueira e comentado sobre a possibilidade de afastamento da prefeita.

Ainda segundo o depoimento, uma eventual saída de Flávia abriria espaço para que Wanderley assumisse o comando do Executivo municipal. A possibilidade aparece, portanto, como parte das alegações relatadas no contexto da investigação, e não como uma decisão formal de cassação.

O material aponta para suspeitas de que a disputa pelo comando da Câmara estaria relacionada a uma estratégia mais ampla de influência política sobre a Prefeitura. A confirmação das acusações, porém, depende da apuração dos fatos e da análise das provas pelas autoridades competentes.

 

FOTO: CÂMARA DE VG