O deputado federal e senador eleito por Mato Grosso, José Medeiros (PL), afirmou que não haverá acordo político capaz de impedir o avanço de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao programa Conexão Poder, ele declarou que parlamentares que assumiram esse compromisso durante a campanha terão de corresponder às expectativas de seus eleitores.
“O pessoal fala: ‘Ah, vai ter acordão, vai ter não sei o quê’. Não vai, não vai ter acordão”, afirmou Medeiros, ao rejeitar a possibilidade de um entendimento entre lideranças políticas para esvaziar a pauta.
Na avaliação do parlamentar, a pressão de parte dos senadores favoráveis ao afastamento de ministros deve dificultar qualquer tentativa de negociação para interromper a iniciativa. Ele argumentou que os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral terão peso nas decisões dos representantes eleitos.
“Podem fazer quantos acordão for por cima, mas tem uma galera ali de senadores que não aceita outra coisa”, declarou.
Medeiros cita compromisso de campanha
Para reforçar o argumento, Medeiros mencionou o discurso adotado durante sua própria campanha eleitoral, no qual defendeu a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República e a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
“Eu fiz minha campanha dizendo: ‘Olha, Flávio no Planalto e Alexandre na cadeia’. É o meu eleitor que não vai aceitar isso”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de a pauta avançar mesmo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito, o senador eleito sustentou que o resultado da disputa presidencial não impediria a mobilização no Senado.
“Eu acho que mesmo com Lula eleito vai ter impeachment do ministro”, declarou.
Senador eleito estima ampliação do grupo favorável à pauta
Medeiros também afirmou que o número de parlamentares favoráveis ao impeachment de ministros do Supremo cresceu em relação à composição anterior do Senado. Segundo a estimativa apresentada por ele, o grupo teria passado de, no máximo, 36 integrantes para cerca de 50.
O parlamentar avalia que essa ampliação dificultaria uma tentativa de barrar a pauta por meio de acordos políticos. A declaração, contudo, representa a avaliação de Medeiros sobre a composição e a disposição dos senadores, não uma garantia de que eventuais processos de impeachment serão instaurados ou aprovados.
A abertura e o andamento de processos dessa natureza dependem dos procedimentos legais e regimentais aplicáveis no Senado Federal.
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