O vereador Dr. Miguel (Cidadania), de Várzea Grande, movimentou R$ 3,17 milhões em operações financeiras identificadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), conforme informações relacionadas à investigação que apura suspeitas de corrupção na Câmara Municipal. O parlamentar também aparece no contexto de um almoço realizado em uma chácara, na véspera da eleição da Mesa Diretora, que reuniu vereadores de Várzea Grande e de Cuiabá.
Do montante identificado, R$ 802,5 mil correspondem a transferências entre contas do próprio vereador. O levantamento também apontou movimentações de R$ 585,3 mil com um terceiro, operações de R$ 98,2 mil envolvendo o Centro Médico de Especialidades de Várzea Grande (CEMED-VG) e um depósito em espécie de R$ 62,5 mil.
A análise financeira não se restringe ao parlamentar. O núcleo investigado abrange outras seis pessoas, fundos municipais e organizações do terceiro setor.
Conforme os dados levantados, houve circulação de recursos entre contas pessoais, familiares e empresariais. O CEMED-VG, por exemplo, teria recebido valores de fundos municipais e organizações sociais e efetuado pagamentos ao vereador investigado, ao pai dele, a um agente político e a pessoas relacionadas.
O levantamento também identificou operações espelhadas e transações realizadas em períodos coincidentes. Por isso, os valores não podem ser somados indiscriminadamente, sob risco de contabilização duplicada dos mesmos recursos.
Almoço reuniu vereadores na véspera da eleição
Dr. Miguel é apontado como responsável pelo convite ao presidente eleito da Câmara de Cuiabá, Ilde Taques (Podemos), e ao vereador Alex Rodrigues (Podemos) para um almoço em uma chácara ligado ao presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB).
O encontro ocorreu na véspera da eleição da Mesa Diretora e integra o contexto da investigação sobre uma possível articulação para a compra de votos no Legislativo várzea-grandense.
Ilde Taques negou participação em articulações políticas e afirmou que esteve no local por amizade. Segundo ele, permaneceu na chácara com Alex Rodrigues por, no máximo, duas horas. O parlamentar também negou proximidade política com Wanderley Cerqueira e os demais investigados.
Operação cumpriu 30 mandados
Deflagrada na terça-feira (20), a Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. O Gaeco investiga a suspeita de um esquema de corrupção na Câmara de Várzea Grande, que incluiria a negociação de votos para a escolha da Mesa Diretora.
Segundo as informações divulgadas sobre a apuração, vereadores teriam se reunido na chácara às vésperas da votação para comemorar o resultado das articulações.
A operação mobilizou mais de 200 agentes e teve como alvos 15 vereadores, sendo 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá. A força-tarefa reúne o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Gaeco, além das polícias Militar, Civil e Penal e do Sistema Socioeducativo.
Entre os vereadores de Várzea Grande citados na operação estão Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Madureira (Republicanos), Sargento Galibert (PSB), Dr. Miguel Júnior (Cidadania), Lucélia Oliveira (Agir), Kleberton Feitoza (PSB), Raul Curvo (Republicanos), Enfermeiro Emerson (PP) e Gisa Barros (Podemos).
As investigações seguem em andamento. A presença de nomes na apuração e a identificação de movimentações financeiras não constituem, por si só, prova de prática criminosa ou de responsabilidade penal.
Outro lado
A reportagem do HNT informou ter procurado o vereador Dr. Miguel e aguardava retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
FOTO: REPRODUÇÃO CÂMARA DE VÁRZEA GRANDE






