COBRANÇA NA SAÚDE

Abilio ameaça substituir profissionais por falhas no atendimento em Cuiabá

 

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou ontem (23) que poderá substituir médicos, dentistas e enfermeiros da rede municipal de saúde que não apresentarem desempenho satisfatório no atendimento à população. A declaração foi feita durante a entrega da Unidade de Saúde da Família (USF) Doutor Fábio, quando o gestor cobrou mais produtividade das equipes e reforçou que a qualidade do serviço deve ser prioridade.

Segundo Abilio, a permanência dos profissionais nas unidades não será garantida pelo tempo de atuação ou pela relação com a administração municipal. O prefeito também alertou que eventuais divergências políticas não devem interferir no atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Se você tem raiva do Abilio, não desconta na população”, declarou.

O chefe do Executivo municipal ressaltou que a melhoria da saúde pública não depende apenas da reforma e da estrutura física das unidades, mas também do desempenho dos servidores e da capacidade de atender à demanda. Ao mesmo tempo, reconheceu a sobrecarga de trabalho enfrentada pelas equipes e defendeu uma relação de respeito entre profissionais e pacientes.

Controle da jornada e produtividade

Questionado sobre a fiscalização do cumprimento da jornada de trabalho dos médicos, Abilio afirmou que o sistema informatizado utilizado pela rede municipal permite registrar os horários dos atendimentos e acompanhar a produção dos profissionais.

“Na hora que ele senta no computador, na hora que ele abre o sistema dele, já começa a registrar o horário de atendimento dele, então já é um ponto eletrônico”, explicou.

O prefeito também mencionou a existência de câmeras com reconhecimento facial nas unidades e afirmou que atrasos podem resultar em descontos salariais. Segundo ele, o prêmio de saúde também leva em consideração a produtividade dos servidores.

Para Abilio, entretanto, a fiscalização não deve se limitar à presença física dos profissionais nos locais de trabalho. Na avaliação do prefeito, é necessário verificar quantos pacientes são efetivamente atendidos durante o expediente.

“Porque ele estar dentro da unidade e não atender ninguém também não resolve nada”, afirmou.

Faltas e vagas disponíveis

Outro ponto levantado pelo prefeito foi o aproveitamento das vagas nas agendas médicas. Ele defendeu a ampliação do atendimento à demanda espontânea e o encaixe de outros pacientes nos horários que ficam disponíveis em razão de faltas.

De acordo com os números apresentados por Abilio durante a entrevista, de cada dez consultas agendadas, em média, seis resultam no comparecimento dos pacientes previstos. Nos centros de especialidades, o prefeito afirmou que o índice de faltas chega a 60%.

Diante desse cenário, ele cobrou maior atuação das equipes na busca ativa de pacientes, como forma de reduzir a ociosidade das agendas e ampliar o acesso aos serviços.

“O grande problema hoje é a quantidade de pacientes atendidos, a quantidade de abstenção e a falta de busca ativa. Precisa melhorar a busca ativa e o encaixe dos pacientes”, declarou.

 

FOTO: PREFEITURA DE CUIABÁ