O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desistiu de pedir na Justiça a anulação da eleição que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT), menos de 24 horas depois de anunciar a intenção. Após conversas com aliados e advogados, o parlamentar foi convencido a mudar de estratégia diante das poucas chances de sucesso da iniciativa nos tribunais.
Dois fatores pesaram na decisão. O primeiro foi a avaliação de que o pedido de anulação teria fragilidade jurídica, pela ausência de argumentos concretos e pelo cenário desfavorável ao senador no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF).
O segundo foi de natureza política. Aliados alertaram que insistir em uma medida para reverter o resultado das urnas poderia ampliar a incerteza institucional e prejudicar o futuro político de Flávio. A avaliação apresentada a ele foi de que, por ser um político jovem e ter recebido quase 60 milhões de votos, ainda tem espaço para construir uma trajetória política.
Entre os que defenderam o recuo estão senadores e governadores, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O argumento foi de que o resultado eleitoral deveria ser tratado como uma etapa encerrada.
Nova estratégia
Em vez de pedir a anulação da eleição, a campanha de Flávio deve ingressar com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), com pedido de cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder econômico. A iniciativa deve questionar medidas anunciadas pelo presidente durante o período eleitoral, apontadas pela campanha como eleitoreiras.
A avaliação entre os aliados é de que esse tipo de ação faz parte da rotina das disputas eleitorais e, diferentemente de um pedido para anular o resultado das urnas, não teria o mesmo potencial de provocar uma crise institucional.
A eventual apresentação da Aije, porém, não significa que as acusações estejam comprovadas nem que haja garantia de cassação da chapa vencedora. O desfecho dependerá da análise da Justiça Eleitoral.
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