A Câmara Municipal de Várzea Grande voltou a ser palco de bate-boca e troca de ofensas ontem (27). O que começou como uma cobrança pela tramitação de projetos encaminhados pela prefeita Flávia Moretti (PL) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) terminou em ataques pessoais entre os vereadores Bruno Rios (PL), Gisa Barros (Podemos) e Alessandro Moreira (MDB).
Líder da prefeita no Legislativo, Bruno cobrou agilidade da comissão e acusou os integrantes de segurar as propostas do Executivo sem apresentar parecer favorável ou contrário. A fala provocou reação imediata de Gisa, que chamou o colega de “moleque” e “mentiroso”, além de acusá-lo de transformar a tribuna em palco para apresentações políticas.
“A CCJ está para emitir parecer, não para corrigir o projeto. Coloca no papel o que está errado, assina o nome, tenha coragem de assinar o que fala. O problema é que fica segurando o processo sem emitir parecer nem favorável nem desfavorável e tentando ganhar tempo. Coloca no papel e tenha coragem e hombridade de assinar”, disparou Bruno.
A resposta veio em tom ainda mais agressivo. Gisa rebateu a cobrança e afirmou que existem projetos enviados pela Prefeitura com falhas documentais, incluindo propostas sem matrícula, o que, segundo ela, impede o andamento regular da análise legislativa.
“Bruno, você é um moleque, mentiroso, e tem essa fama na cidade. Aqui não tem ninguém que usa falácia não. Aqui tem projeto que nem sequer matrícula tem, você sabe disso. E tem o costume de vir fazer show aqui nessa tribuna e sair correndo igual um moleque”, atacou a vereadora.
Gisa também lembrou que, quando Bruno esteve à frente da CCJ, teria deixado mais de duas dezenas de matérias pendentes. A parlamentar defendeu que a comissão precisa apontar e resolver inconsistências antes de liberar os textos para votação em plenário.
Até “fofoqueiro” entrou na discussão
O vereador Alessandro Moreira também entrou na confusão e saiu em defesa de uma análise mais rigorosa dos projetos. Segundo ele, o trabalho da comissão é justamente evitar que matérias com problemas jurídicos avancem sem a devida avaliação.
Alessandro acusou Bruno de levar informações distorcidas aos bastidores do Paço Municipal e classificou o líder governista como “fofoqueiro” e “desagregador”.
O embate expôs mais um capítulo do desgaste entre integrantes da Câmara em torno da tramitação de propostas do Executivo. Enquanto Bruno cobra rapidez na análise dos projetos da prefeita, integrantes da CCJ sustentam que a documentação precisa estar regular antes de as matérias seguirem para votação.
Casa dos Horrores em meio a investigação
A troca de farpas ocorreu enquanto a Câmara de Várzea Grande também está sob os holofotes por causa da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
As investigações apuram suspeitas de pagamento de mensalinho de R$ 10 mil e compra de votos para manter Wanderley Cerqueira (MDB) na presidência da Câmara, além de supostas irregularidades envolvendo o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG).
As suspeitas investigadas pelo Gaeco e o bate-boca desta terça-feira são episódios distintos, mas mantêm o Legislativo municipal no centro das atenções políticas e policiais.
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