O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e o deputado federal e senador eleito por Mato Grosso, José Medeiros (PL), saíram em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após notícias de que ele deixou o Brasil com a família rumo aos Estados Unidos. Os dois aliados do bolsonarismo alegam que o parlamentar estaria sujeito à perseguição política e à falta de segurança jurídica caso permanecesse no país.
A saída de Flávio ganhou repercussão ontem (27), dois dias após a derrota na disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A viagem também ocorreu em meio a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) e não deixasse o território nacional.
Em entrevista à imprensa, Abilio afirmou que, diante do cenário político e judicial, também deixaria o país se estivesse na mesma situação. O prefeito comparou o caso ao do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, que está em prisão domiciliar em Brasília.
“Olha o que aconteceu com o Bolsonaro que não deve nada e está preso até hoje. No lugar dele, eu também iria embora”, declarou.
Abilio também citou a condenação de pessoas envolvidas nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, para sustentar sua avaliação de que aliados do ex-presidente enfrentam perseguição política.
José Medeiros, por sua vez, afirmou que Flávio não teria garantias jurídicas suficientes para permanecer no Brasil e avaliou que o senador poderia ser alvo de medidas injustas. “Não tem qualquer segurança jurídica aqui no Brasil para ele (Flávio)”, afirmou Medeiros.
O parlamentar também manifestou a avaliação de que, caso permanecesse no país, Flávio poderia sofrer perseguição e ser preso injustamente. As declarações dos dois políticos representam suas interpretações sobre o cenário político e judicial brasileiro.
EUA confirmam emissão de vistos
O governo dos Estados Unidos confirmou nesta terça-feira que emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares, permitindo a entrada deles no país. A informação foi repassada à CNN Brasil por um alto funcionário do Departamento de Estado norte-americano.
“O Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos”, informou a autoridade.
A confirmação ocorreu após o advogado mexicano Simón Levy, apontado como aliado do presidente Donald Trump, afirmar nas redes sociais que Flávio teria recebido autorização para obter asilo político. Até o momento, porém, o governo norte-americano confirmou a emissão dos vistos, mas não anunciou oficialmente a concessão de asilo.
A Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático do senador após o prazo estabelecido para a entrega dos documentos terminar sem cumprimento da determinação judicial. A situação acrescentou um novo capítulo à disputa política e judicial envolvendo o parlamentar.
Flávio é investigado em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, envolvendo também o advogado Willer Tomaz. O senador nega irregularidades.
PL discute efeitos políticos da saída
A saída de Flávio e a possibilidade de permanência nos Estados Unidos também provocaram movimentação entre dirigentes do Partido Liberal. O presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, convocou uma reunião com lideranças partidárias para discutir os desdobramentos políticos após a derrota presidencial.
A viagem do senador ocorre em um momento de reorganização da direita, que passa a discutir os próximos passos da oposição ao governo Lula e o papel da família Bolsonaro na articulação política nacional.
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