O primeiro suplente de senador Odílio Balbinotti (PL) avalia que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderá continuar exercendo influência sobre a direita brasileira mesmo que deixe o país e passe a viver nos Estados Unidos. Em entrevista, Balbinotti defendeu que o parlamentar busque asilo político junto ao governo de Donald Trump, alegando que ele seria alvo de perseguição política no Brasil.
Na avaliação do suplente, as medidas judiciais envolvendo integrantes da família Bolsonaro indicariam um tratamento diferente daquele dispensado a outras figuras públicas investigadas. Balbinotti citou o bloqueio dos passaportes de Flávio Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que, segundo ele, reforçaria a suspeita de perseguição política.
O suplente argumentou que uma investigação não representa, por si só, uma condenação e questionou o que considera diferenças de tratamento entre pessoas investigadas. Como exemplos, mencionou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro do STF Alexandre de Moraes, citando situações que, segundo ele, demonstrariam essa disparidade.
“Dou exemplo aqui do próprio ‘Lulinha’, que está sendo investigado, mas saiu do país tranquilamente. Do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que é investigado no caso do Banco Master e também não teve seus passaportes bloqueados”, afirmou.
Balbinotti também comparou a situação do senador à do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, que, segundo a reportagem, está em prisão domiciliar. Para o suplente, a permanência do parlamentar no Brasil poderia resultar em uma prisão que considera injusta. “Com certeza, se ele ficasse no Brasil, seria preso injustamente”, declarou.
O primeiro suplente também mencionou a situação do presidente Lula nas eleições de 2018, quando, mesmo preso, acompanhou a campanha presidencial de Fernando Haddad (PT). Na avaliação de Balbinotti, a situação contrasta com as restrições que, segundo ele, foram impostas a Jair Bolsonaro.
“Da sua cela, na Polícia Federal, o Lula escrevia cartas e dava ordens nas eleições. São dois pesos e duas medidas”, afirmou.
Na terça-feira (27), o senador eleito José Medeiros e o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, também defenderam que Flávio Bolsonaro vá aos Estados Unidos em busca de asilo político. Os dois alegaram que o parlamentar e sua família seriam vítimas de perseguição política.
Abílio citou ainda o caso de Débora Rodrigues dos Santos, condenada por sua participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. O prefeito mencionou o episódio em que ela escreveu com batom em uma estátua durante os ataques às sedes dos Três Poderes.
“Vale lembrar da Débora, que usou um batom para escrever uma frase em uma estátua e foi condenada e presa”, disse.
INFLUÊNCIA DO BOLSONARISMO
Apesar da derrota nas eleições presidenciais, Balbinotti considera que o resultado eleitoral demonstra a permanência da força política do bolsonarismo no país. Para ele, o movimento teve influência na eleição de parlamentares e governadores, além de contribuir para a formação das bancadas alinhadas à direita no Congresso Nacional.
O suplente atribuiu parte expressiva da votação da chapa encabeçada por José Medeiros à identificação dos eleitores com o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu grupo político.
“Temos que ter humildade que, dos quase um milhão dos votos que tivemos, foi pela influência do bolsonarismo”, concluiu.
Na avaliação de Balbinotti, essa base política poderá permitir que Flávio Bolsonaro mantenha protagonismo entre os setores da direita brasileira, mesmo que esteja fora do país.
FOTO: ASSESSORIA






