REAÇÃO DO PL-MT

Ananias Filho nega fuga de Flávio Bolsonaro e acusa STF de revanchismo político

 

O presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, saiu em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e negou que o parlamentar tenha fugido do Brasil ao viajar para os Estados Unidos. Segundo o dirigente, não havia impedimento judicial efetivamente cumprido no momento da saída do país. Ele também acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de agir por motivação política ao determinar a retenção dos passaportes e proibir o senador de deixar o território nacional.

Na avaliação de Ananias, a viagem não pode ser caracterizada como fuga porque a ordem do ministro Alexandre de Moraes ainda não havia sido executada quando Flávio deixou o Brasil.

“Tecnicamente, não é fuga. O nosso candidato, que esteve na eleição nacional, Flávio Bolsonaro, de forma alguma empreendeu fuga. Fuga é quando você tem o seu cerceamento do direito de ir e vir por uma medida cautelar. E isso não aconteceu. Tinha a situação de busca dos passaportes, que não tinha sido efetivada também”, argumentou.

O dirigente também questionou o momento em que a decisão judicial foi expedida. Segundo ele, a determinação de Moraes ocorreu sete minutos depois da divulgação do resultado do segundo turno da eleição presidencial, quando Flávio já havia sido derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ananias classificou a medida como uma tentativa de retaliação política contra o senador e criticou a atuação da Suprema Corte.

“É muito triste a Justiça brasileira, o STF, ser comandada por uma parte política da forma que foi. Após o término das eleições, emitir a medida cautelar contra o candidato que disputou a Presidência da República. Claramente, era uma medida de cerceamento e uma medida de revanchismo. Eu não vejo de outra forma”, declarou.

RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL

Ananias também comentou a influência de declarações de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que está nos Estados Unidos e teve o mandato de deputado federal cassado. Segundo o dirigente, eventuais consequências judiciais devem ser atribuídas individualmente, sem responsabilizar terceiros por manifestações ou decisões de outras pessoas.

A determinação de Moraes teve como uma das referências uma declaração de Eduardo, que havia defendido que Flávio deixasse o Brasil caso perdesse a disputa presidencial.

“Uma opinião emitida por um irmão que está fora do Brasil, e aí ele vai sofrer as consequências. Se a lei penal não pune por ato de outras pessoas, a punição de um ato é ação individual de cada um. Ninguém é punido por ação de outras pessoas”, afirmou.

VIAGEM AOS ESTADOS UNIDOS

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas. A família passou pela Argentina e seguiu em uma aeronave particular até Guayaquil, no Equador. De lá, embarcou para os Estados Unidos, onde chegou na manhã de quarta-feira (28), em Miami.

A viagem ocorreu após Alexandre de Moraes determinar a entrega dos passaportes do senador à Polícia Federal (PF) e proibir sua saída do território nacional. A decisão foi expedida no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades.

Posteriormente, a Polícia Federal informou que o senador descumpriu a determinação judicial e abriu investigação para apurar as circunstâncias da viagem. Segundo a corporação, não foi localizado registro da passagem de Flávio por postos de controle migratório brasileiros.

 

FOTO: MIDIA NEWS