APÓS OPERAÇÃO POLICIAL

Abílio prevê retorno de Sérgio Ricardo ao TCE-MT em duas semanas

 

O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), acredita que o presidente afastado do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, poderá retornar às funções em aproximadamente duas semanas. A previsão foi feita na noite desta quarta-feira (4), durante conversa com jornalistas, em meio aos desdobramentos da Operação Tomada de Contas, que levou à prisão preventiva do conselheiro.

Questionado sobre os possíveis impactos da operação na imagem do Tribunal, Abílio afirmou não saber avaliar o desgaste provocado pela investigação, mas demonstrou confiança na volta de Sérgio Ricardo.

“Não sei, cara. Eu ainda acho que ele volta daqui umas duas semanas”, declarou.

O prefeito também foi questionado se o episódio poderia comprometer a credibilidade do TCE-MT, especialmente diante do histórico de outra operação envolvendo a instituição, em 2017. Em resposta, defendeu uma distinção entre a atuação do órgão e as condutas individuais de seus integrantes.

“Tanto é que o próprio Tribunal de Contas publicou uma nota explicando uma posição da instituição e tudo mais. Uma coisa é a instituição, outra coisa é a posição de pessoas”, afirmou.

A declaração sobre o possível retorno de Sérgio Ricardo representa uma avaliação pessoal de Abílio. Até o momento, não há indicação, na manifestação do prefeito, de que exista decisão judicial estabelecendo prazo para o encerramento do afastamento.

OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS

Deflagrada pela Polícia Federal em 29 de outubro, com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Operação Tomada de Contas investiga suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e pagamentos realizados no âmbito do TCE-MT. A ação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Entre os presos está Sérgio Ricardo de Almeida, então presidente da Corte. A investigação apura suspeitas de que a suspensão de contratos administrativos teria sido utilizada como instrumento de pressão sobre empresas fornecedoras, além de possíveis pagamentos diferenciados, movimentações financeiras atípicas e saques recorrentes em dinheiro.

Os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A decisão judicial também determinou o afastamento de outros conselheiros e investigados de suas funções. Com a saída de Sérgio Ricardo da presidência, o vice-presidente Waldir Teis assumiu a condução administrativa do Tribunal e iniciou articulações para garantir a continuidade dos julgamentos e das atividades de fiscalização.

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu dinheiro em diferentes moedas, veículos, relógios, armas e outros objetos. Conforme o balanço divulgado pela corporação, foram recolhidos mais de R$ 4,3 milhões em espécie, além de dólares, euros e libras.

 

FOTO: TCE MT