Uso de aviões agrícolas no combate aos incêndios florestais foi defendido pelo ministro Ricardo Salles durante reunião da Comissão do Pantanal
Aprovado no Senado por unanimidade e já encaminhado à apreciação da Câmara dos Deputados, o projeto de lei que prevê a contratação de aviões agrícolas para o combate aos incêndios florestais tem o apoio do Governo Federal, de acordo com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ele elogiou a iniciativa do autor do projeto, senador Carlos Fávaro (PSD-MT), destacando a importância do uso dessas aeronaves para complementar a estratégia de combate ao fogo. Fávaro pediu ao ministro empenho junto à Câmara do Deputados para que o projeto tramite com agilidade também naquela casa.
As afirmações do ministro foram feitas durante sua participação na reunião da Comissão Temporária Externa (CTE) Pantanal, realizada nesta terça-feira (13). O Brasil tem a segunda maior frota agrícola do mundo, com 2,3 mil, e grande parte desses aviões está em Mato Grosso. Como o período seco coincide com a entressafra, em geral a frota agrícola fica parada justamente durante os meses com maior incidência de incêndios florestais. A possibilidade de contratação temporária desses aviões pelo Poder Público foi proposta por Fávaro por meio do PL 4629/2020.
Tecnologia - Salles defende o uso de mais tecnologia, tanto na previsão dos incêndios quanto no combate. “Há, sim, tecnologia para previsibilidade na detecção de queimadas, com base no histórico dos anos anteriores e também na tendência de meteorologia para projeções futuras. Isso se combina a uma estratégia de alocação de equipes e equipamentos, mas é necessária uma complementação desses esforços, não só pelos voluntários, que cumprem um importante papel, mas também pela aviação agrícola, e aqui entra o projeto do senador Fávaro”, explicou o ministro.
Orçamento - Ele contou ainda que já discutiu o tema com a secretária de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso, Mauren Lazzaretti, que expressou preocupação com os recursos do Estado para essa locação. “O que podemos fazer – e o senador Fávaro colocou bem isso no projeto – é prever a possibilidade de contratação dessas aeronaves agrícolas e utilizar dentro da necessidade e da disponibilidade orçamentária”, disse.
O ministro elogiou também o uso do retardante do fogo, que Mato Grosso já adotou, a exemplo de países da Europa, além de Estados Unidos, Canadá e Japão. Ele afirmou que o Governo Federal acabou de testar o uso do retardante com sucesso na Chapada dos Veadeiros. “Essa é uma questão que precisa ser encarada de frente, pois a visão de que o emprego de tecnologia não é salutar é uma visão equivocada”, defendeu Salles.
De acordo com Fávaro, a inclusão dos aviões agrícolas nos planos oficiais permite um enfrentamento dos incêndios de forma muito mais adequada, pois o problema vem se tornando cada vez mais complexo. “São aviões utilizados para aplicação de defensivos e fertilizantes, portanto extremamente eficazes no combate aos incêndios florestais, possibilitando o lançamento de água e de retardantes de fogo com agilidade, precisão e segurança – e com pilotos treinados em manobras complexas”, explica.
Custo Otimizado - Com o uso da aviação agrícola, em vez de comprar aviões, contratar pilotos e arcar com todo o custo de instalações, manutenção, treinamento e pessoal (estrutura que ficaria ociosa durante a maior parte do ano), o poder público terceirizaria plantões e horas voadas somente nos meses de incêndios. Isso seria implantado como parte de um sistema, que atuaria com equipes de brigadistas em solo e também com estrutura de detecção rápida dos focos de incêndio, capaz de gerar um salto enorme de qualidade e de efetividade nas ações de combate aos incêndios no Brasil.








